21/05/2026 às 22:48
novos documentos revelam fraude superior a R$ 8 milhões
Conforme as investigações avançam, aumenta o volume apurado no desvio de recursos públicos da Prefeitura de Joaçaba. Novos dados divulgados na tarde desta quinta-feira (21) pelo relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Prefeitura), vereador Jean Calza, revelam que as transferências realizadas de contas do município para contas pessoais do então tesoureiro da prefeitura somam quase R$ 8,5 milhões.
A maior parte das transferências ocorreu por meio de conta vinculada à agência da Caixa Econômica Federal. O restante foi realizado por meio de agência do Banco do Brasil. Os dados constam em novos documentos que os membros da CPI — Jean Calza, Diego Bairros e Ricardo Menezes — receberam das próprias instituições financeiras.
“Ainda não descartamos a possibilidade de que esses valores sejam ainda maiores”, disse o relator, que já iniciou a elaboração do relatório final da CPI, previsto para ser apresentado no fim de junho.
A CPI concentra as investigações na identificação de possíveis falhas administrativas que possam ter permitido que recursos saíssem das contas da prefeitura e fossem transferidos para contas pessoais do então tesoureiro, exonerado logo após a abertura das investigações pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina, em dezembro de 2025. O caso também é investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
“Inicialmente, as suspeitas eram de desvios na ordem de R$ 1 milhão. Ao analisar documentos, a CPI revelou que as transferências somavam mais de R$ 4 milhões. Agora, evidenciamos que o montante desviado já supera R$ 8 milhões. Seguimos em busca do destino desses valores, que precisam retornar aos cofres públicos”, afirmou Calza.
Em recente oitiva de testemunhas realizada pela CPI, tanto o atual prefeito quanto o ex-prefeito, que exerceu mandato por oito anos, afirmaram desconhecer a existência de senhas em seus nomes utilizadas pelo tesoureiro para efetivar as transações. Segundo Calza, a maior parte das transferências foi registrada com senhas vinculadas aos gestores.
O relator também ressaltou que há indícios de que o tesoureiro tenha agido de forma isolada. No entanto, ainda não é possível afirmar que não existam outras pessoas envolvidas na fraude.
TJ mantém prisão domiciliar
Na última terça-feira (19), o Tribunal de Justiça de Santa Catarina negou o recurso do Ministério Público que pedia a prisão preventiva do investigado, mantendo-o em liberdade com monitoramento eletrônico. Para o Tribunal, as medidas cautelares já impostas são suficientes, neste momento, para garantir a proteção das investigações.
/ Câmara de Vereadores
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